Pressionada pela avalanche de más notícias provocada pelo avanço das apurações da Polícia Federal na Operação Lava-Jato, que chega cada dia mais perto dos políticos envolvidos no escândalo da Petrobras, é provável que a presidente Dilma acelere a indicação do futuro ministro da Fazenda. Seria, no cálculo dos analistas políticos, um dado positivo para reduzir, pelo menos em parte, o foco atualmente concentrado no trabalho dos policiais e do juiz federal Sérgio Moro.
Enquanto isso não ocorre, ficam a sociedade e os agentes econômicos sem saber se o comando da política econômica será entregue a alguém com força para retomar a transparência fiscal e para restabelecer o centro (não mais o teto) da meta de inflação como compromissos a serem cumpridos. São passos inevitáveis para se recriar um clima de confiança na economia e retomar o crescimento.
Não se sabe, hoje, nem mesmo se a atual diretoria do Banco Central (BC) será inteira ou parcialmente mantida e, principalmente, prestigiada. É certo que essa equipe errou ao se submeter à equivocada orientação de baixar à força e fora de hora a taxa básica de juros (Selic) em 2012. Mas também é injusto não reconhecer que a autoridade monetária se recompôs nos últimos meses e voltou a apertar a política monetária. E, mais do que isso, vem sinalizando que não pretende retroceder nessa caminhada enquanto a inflação continuar perigosamente perto do teto de 6,5% ao ano.
É do manual de economia a informação de que a incerteza é a mãe da desconfiança e, portanto, matriz da falta de crescimento. Por isso mesmo, soam como música aos ouvidos dispostos a encarar com mais técnica e menos voluntarismo a retomada do crescimento as declarações de ontem de Carlos Hamilton Araújo, diretor de Política Econômica do BC. A experiência internacional, segundo Araújo, aponta que a inflação baixa é precondição para o crescimento.
Ele foi além, ao recordar outra máxima do manual de que a inflação alta castiga primeiro e mais intensamente os mais pobres, aqueles que gastam a maior parte do ganham para sobreviver. “Inflação elevada é imposto regressivo e diminui o bem-estar da sociedade como um todo”, disse Araújo.
Embora elementar, essa regra costuma ser esquecida, assim como a de que o gasto excessivo do governo gera consumo e pressiona os preços. Ou seja, não basta o rigor monetário para conter o apetite do dragão inflacionário. A gestão responsável dos recursos públicos, de modo a evitar a necessidade de cobrir buracos orçamentários com o aumento da dívida pública, é igualmente indispensável.
A presidente reeleita já afirmou que fará o dever de casa no combate à inflação e na geração de superavits fiscais primários. Mantida ou não a equipe do Banco Central, o que se espera é que as palavras de Carlos Hamilton Araújo sejam o resumo do que vai pensar e fazer o próximo governo, durante todo o mandato de quatro anos, sem cair em tentações exóticas, como a de 2012.
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Visão do Correio Braziliense - 19/11/2014
Enquanto isso não ocorre, ficam a sociedade e os agentes econômicos sem saber se o comando da política econômica será entregue a alguém com força para retomar a transparência fiscal e para restabelecer o centro (não mais o teto) da meta de inflação como compromissos a serem cumpridos. São passos inevitáveis para se recriar um clima de confiança na economia e retomar o crescimento.
Não se sabe, hoje, nem mesmo se a atual diretoria do Banco Central (BC) será inteira ou parcialmente mantida e, principalmente, prestigiada. É certo que essa equipe errou ao se submeter à equivocada orientação de baixar à força e fora de hora a taxa básica de juros (Selic) em 2012. Mas também é injusto não reconhecer que a autoridade monetária se recompôs nos últimos meses e voltou a apertar a política monetária. E, mais do que isso, vem sinalizando que não pretende retroceder nessa caminhada enquanto a inflação continuar perigosamente perto do teto de 6,5% ao ano.
É do manual de economia a informação de que a incerteza é a mãe da desconfiança e, portanto, matriz da falta de crescimento. Por isso mesmo, soam como música aos ouvidos dispostos a encarar com mais técnica e menos voluntarismo a retomada do crescimento as declarações de ontem de Carlos Hamilton Araújo, diretor de Política Econômica do BC. A experiência internacional, segundo Araújo, aponta que a inflação baixa é precondição para o crescimento.
Ele foi além, ao recordar outra máxima do manual de que a inflação alta castiga primeiro e mais intensamente os mais pobres, aqueles que gastam a maior parte do ganham para sobreviver. “Inflação elevada é imposto regressivo e diminui o bem-estar da sociedade como um todo”, disse Araújo.
Embora elementar, essa regra costuma ser esquecida, assim como a de que o gasto excessivo do governo gera consumo e pressiona os preços. Ou seja, não basta o rigor monetário para conter o apetite do dragão inflacionário. A gestão responsável dos recursos públicos, de modo a evitar a necessidade de cobrir buracos orçamentários com o aumento da dívida pública, é igualmente indispensável.
A presidente reeleita já afirmou que fará o dever de casa no combate à inflação e na geração de superavits fiscais primários. Mantida ou não a equipe do Banco Central, o que se espera é que as palavras de Carlos Hamilton Araújo sejam o resumo do que vai pensar e fazer o próximo governo, durante todo o mandato de quatro anos, sem cair em tentações exóticas, como a de 2012.
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Visão do Correio Braziliense - 19/11/2014

