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Desvios na Petrobras podem chegar a R$ 21 bilhões, diz banco

Morgan Stanley fez suas estimativas com base em informações de que as propinas chegam a 3% do que foi investido pela petroleira nos últimos anos

Revista IstoÉ
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As perdas na Petrobras com os desvios na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, podem chegar a R$ 21 bilhões, avalia o banco americano Morgan Stanley. Segundo informações publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, o banco foi um dos primeiros a divulgar uma estimativa a investidores sobre os desvios.

O Morgan Stanley fez suas estimativas com base nas informações dadas pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto da Costa de que as propinas chegam a 3% do que foi investido pela petroleira nos últimos anos. Com uma margem de erro, o banco considerou perdas de 1% a 5%, o que equivalem a desvios contábeis entre R$ 5 bilhões e R$ 21 bilhões.

Os bancos estão fazendo os cálculos após a Petrobras admitir que terá de reduzir o valor de seus ativos caso sejam confirmadas as denúncias de corrupção. Analistas também têm alertados investidores para a redução no pagamento de dividendos este ano e retirado a recomendação para compra de ações da petroleira.
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O ESTADO DE S.PAULO

Banco americano estimou prejuízo de R$ 21 bilhões a acionistas, com base na informação de que desvios de recursos da estatal somam 3% do que foi investido nos últimos anos
Valor de mercado da empresa despencou nos últimos quatro anos.



O banco americano Morgan Stanley foi um dos primeiros a divulgar a investidores uma estimativa das eventuais perdas com os desvios citados na Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Para o Morgan, as perdas podem chegar a R$ 21 bilhões, o que comprometeria todo o lucro de 2014 da estatal.

O Morgan Stanley fez suas estimativas com base na informação dada pelo ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto da Costa de que as propinas representaram 3% do que foi investido pela empresa nos últimos anos. Levando em conta uma margem de erro, o banco considerou perdas de 1% a 5%, o que significariam baixas contábeis entre R$ 5 bilhões e R$ 21 bilhões...

Neste último caso, se o registro das perdas na contabilidade for feito todo neste ano, não haverá pagamento de dividendos para os detentores das chamadas ações ordinárias (com direito a voto nas principais decisões das empresas).

Os bancos estão fazendo as contas depois que a própria Petrobrás admitiu que terá de reduzir o valor de seus ativos caso sejam confirmadas as denúncias de corrupção. Além disso, vários analistas financeiros alertam os investidores para a redução no pagamento de dividendos este ano e retiram a recomendação para a compra das ações da Petrobrás.
Os analistas do banco Safra que até ontem acreditavam que as ações da Petrobrás teriam desempenho melhor do que outras ações, sugerindo oportunidade de compra, rebaixaram a ação para "neutro", ou seja, nem comprar, nem vender.

O Itaú BBA disse em relatório assinado por seus analistas que a cada R$ 1 bilhão de registro de baixa contábil que a Petrobrás tenha de fazer, os detentores de ações com direito a voto, que deveriam receber R$ 0,37 por ação, vão receber R$ 0,02 menos. Na prática, se o rombo for de R$ 10 bilhões, o dividendo a ser pago cairá pela metade.

Contas públicas. Um dos maiores prejudicados seria o próprio governo federal que é dono de mais de 50% dessas ações e espera fechar as contas com esses dividendos. O BNDES tem outros 10%. Já os investidores estrangeiros, que possuem a ação negociada em Nova York, têm quase 20%. Os investidores que têm ações preferenciais serão menos afetados porque, pela lei, a Petrobrás é obrigada a pagar dividendo mínimo, mesmo que tenha prejuízo.

Os relatórios dos analistas se mostram cautelosos, mas alertam para o potencial de a situação da Petrobrás se agravar caso permaneça por um longo período sob investigação a ponto de impedir que os auditores avalizem seu balanço até meados do próximo ano. Se o balanço anual não for auditado e publicado até lá, a empresa não terá como refinanciar sua dívida que vence em 2015 e poderá ser forçada a pagar antecipadamente, de uma só vez, US$ 57 bilhões em empréstimos, segundo dados do Morgan.

Quando a empresa faz um empréstimo, ela se compromete a manter margens financeiras do seu negócio, que servem como garantia de solvência, e também prestar informações atualizadas. Entre essas informações, estão os balanços auditados por empresas independentes. Na semana passada, a PricewaterhouseCoopers se negou a assinar o balanço trimestral antes do fim da investigação que está sendo feita para apurar as perdas com os desvios nas refinarias Abreu e Lima e Comperj.


Fonte: O Estado de São Paulo - por Josette Goulart  - 19/11/2014


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