Uma das mais nefastas heranças que um governo pode deixar para seu sucessor e, por extensão, para a sociedade em geral, sem dúvida nenhuma é a desmoralização das instituições do Estado.
Ao tornar débeis os organismos individualmente, o gestor compromete o corpo como um todo, levando ao colapso não só a administração pública, mas, sobretudo, a credibilidade que o cidadão deposita no Estado.
Até os atos de corrupção podem ser sanados com a devolução dos recursos desviados, multas e condenações dos envolvidos. O mesmo não ocorre com a desmoralização das instituições.
Seus efeitos são perenes e se estendem para o futuro, contaminando outras instituições em cadeia e rompendo com os laços da cidadania. Infelizmente, é essa a herança que vai ficar deste governo. A relação das instituições que foram, na última década, aparelhadas, instrumentalizadas, esvaziadas ou simplesmente desmanteladas é tão extensa que não cabe neste espaço. Em seu conjunto, os órgãos reguladores — como as agências nacionais de Água, de Telecomunicações, do Petróleo, de Energia Elétrica e outras do gênero — perderam o poder de regular e fiscalizar cada setor.
Perderam também a credibilidade perante a sociedade. Também os órgãos de fiscalização, como os tribunais de contas e a Controladoria-Geral da União, para ficar apenas nesses, foram desprestigiados ou desvalorizadas em suas atuações. Nesse processo gradual de desmoralização, até instituições de pesquisa como o Ipea e o IBGE foram seriamente atingidas, o que comprometeu a credibilidade de seus estudos e análises.
Ainda não satisfeito com o desmonte geral das instituições, o governo federal investe agora no esquartejamento da Lei de Responsabilidade Fiscal, buscando uma alquimia matreira, capaz de transformar deficit em superavit. Ao erguer um escombro imenso de instituições destroçadas e sem credibilidade, o que se avista ao longe é a desmoralização do futuro para todos, sem exceção.
*****
Fonte: Coluna Visto, lido e ouvido - Com Ari Cunha e Circe Cunha - Correio Braziliense - 20/11/2014
Ao tornar débeis os organismos individualmente, o gestor compromete o corpo como um todo, levando ao colapso não só a administração pública, mas, sobretudo, a credibilidade que o cidadão deposita no Estado.
Até os atos de corrupção podem ser sanados com a devolução dos recursos desviados, multas e condenações dos envolvidos. O mesmo não ocorre com a desmoralização das instituições.
Seus efeitos são perenes e se estendem para o futuro, contaminando outras instituições em cadeia e rompendo com os laços da cidadania. Infelizmente, é essa a herança que vai ficar deste governo. A relação das instituições que foram, na última década, aparelhadas, instrumentalizadas, esvaziadas ou simplesmente desmanteladas é tão extensa que não cabe neste espaço. Em seu conjunto, os órgãos reguladores — como as agências nacionais de Água, de Telecomunicações, do Petróleo, de Energia Elétrica e outras do gênero — perderam o poder de regular e fiscalizar cada setor.
Perderam também a credibilidade perante a sociedade. Também os órgãos de fiscalização, como os tribunais de contas e a Controladoria-Geral da União, para ficar apenas nesses, foram desprestigiados ou desvalorizadas em suas atuações. Nesse processo gradual de desmoralização, até instituições de pesquisa como o Ipea e o IBGE foram seriamente atingidas, o que comprometeu a credibilidade de seus estudos e análises.
Ainda não satisfeito com o desmonte geral das instituições, o governo federal investe agora no esquartejamento da Lei de Responsabilidade Fiscal, buscando uma alquimia matreira, capaz de transformar deficit em superavit. Ao erguer um escombro imenso de instituições destroçadas e sem credibilidade, o que se avista ao longe é a desmoralização do futuro para todos, sem exceção.
*****
Fonte: Coluna Visto, lido e ouvido - Com Ari Cunha e Circe Cunha - Correio Braziliense - 20/11/2014

