Imaginem todos esses fatos relacionados com a Copa do Mundo no Brasil, num momento em que o Partido dos Trabalhadores estivesse na oposição. Seria uma grita geral, com o PT indo questionar a perda da soberania nacional até na ONU. E o que diria então o aguerrido partido sobre a Lei Geral da Copa? Convocaria a nação a pegar em armas? Não se trata aqui de torcer contra a Seleção ou contra o Brasil, mas chama a atenção, além dos sigilosos compromissos firmados pelo governo com a Fifa, lá na Suíça em 2007, os inúmeros encargos deixados nas costas do consumidor por conta de um torneio de futebol que, como propagandeado, seria bancado pela iniciativa privada.
À medida que o cidadão vai se informando sobre o dispendioso campeonato e a verdadeira montanha de recursos públicos gastos, sem retorno e sem legado, aumentam as pressões nas ruas. Aliás, a oposição hoje é feita, com seriedade, apenas nas ruas. Cedo ou tarde, os números relativos ao balanço final da Copa virão à tona. Sobre esse ponto, o melhor seria, para todos, a contratação de auditoria feita por empresa de credibilidade internacional, que trouxesse à luz o quanto custou para a nação a realização da Copa das Confederações, da Copa do Mundo e das Olimpíadas conjuntamente.
Numa primeira leitura, graças ao trabalho diário da imprensa, dá para pressentir que os ganhos foram largamente superados pelas despesas, em qualquer aspecto analisado. Mais estranho do que os números que não batem, é o fato de o partido no poder, outrora identificado como defensor dos valores nacionais, se prestar a escancarar as portas e os cofres do país para uma entidade reconhecida pelos especialistas no mundo dos esportes como a Máfia dos Alpes.
No último livro sobre essa entidade intitulado Um Jogo cada vez mais sujo, o jornalista britânico Andrew Jennings narra em 238 páginas o que seria o padrão Fifa de fazer negócios e mostra como países como a África do Sul e o próprio Brasil saíram prejudicados com acordos feitos com essa entidade. Fato sintomático sobre a Lei Geral da Copa e o Regime Diferenciado de Contratações é que ambos foram feitos sob medida para atender aos desejos da Fifa.
Sobre a LGC, o ministro Joaquim Barbosa, único a se posicionar contra, argumentou: “O evento Copa do Mundo é evento privado, com potencial de renda para os entes e pessoas privadas extraordinário. Na casa de centenas de milhões de dólares. Bilhões, se levarmos em consideração os direitos de imagem que são cobrados de emissoras de televisão, rádio, do mundo inteiro. Tudo isso em benefício da Fifa. Toda espécie de produto em benefício dessa entidade ou seus associados. No contexto de uma entidade com essa capacidade extraordinária de gerar renda privada, faz sentido essa exoneração fiscal tão ampla com a motivação de que vai gerar benefícios à imagem do país?” Diante de tanta controvérsia, a conclusão mais próxima da realidade é que a Fifa e o PT têm tudo a ver.
A frase que não foi pronunciada
“Olhe sempre para o céu! Pode cair uma privada na sua cabeça!”
Conselho imaginário para turistas que virão para a Copa do Mundo
Coluna Visto, lido e ouvido - Ari Cunha/ Circe Cunha - Correio Braziliense - 05/05/2014
À medida que o cidadão vai se informando sobre o dispendioso campeonato e a verdadeira montanha de recursos públicos gastos, sem retorno e sem legado, aumentam as pressões nas ruas. Aliás, a oposição hoje é feita, com seriedade, apenas nas ruas. Cedo ou tarde, os números relativos ao balanço final da Copa virão à tona. Sobre esse ponto, o melhor seria, para todos, a contratação de auditoria feita por empresa de credibilidade internacional, que trouxesse à luz o quanto custou para a nação a realização da Copa das Confederações, da Copa do Mundo e das Olimpíadas conjuntamente.
Numa primeira leitura, graças ao trabalho diário da imprensa, dá para pressentir que os ganhos foram largamente superados pelas despesas, em qualquer aspecto analisado. Mais estranho do que os números que não batem, é o fato de o partido no poder, outrora identificado como defensor dos valores nacionais, se prestar a escancarar as portas e os cofres do país para uma entidade reconhecida pelos especialistas no mundo dos esportes como a Máfia dos Alpes.
No último livro sobre essa entidade intitulado Um Jogo cada vez mais sujo, o jornalista britânico Andrew Jennings narra em 238 páginas o que seria o padrão Fifa de fazer negócios e mostra como países como a África do Sul e o próprio Brasil saíram prejudicados com acordos feitos com essa entidade. Fato sintomático sobre a Lei Geral da Copa e o Regime Diferenciado de Contratações é que ambos foram feitos sob medida para atender aos desejos da Fifa.
Sobre a LGC, o ministro Joaquim Barbosa, único a se posicionar contra, argumentou: “O evento Copa do Mundo é evento privado, com potencial de renda para os entes e pessoas privadas extraordinário. Na casa de centenas de milhões de dólares. Bilhões, se levarmos em consideração os direitos de imagem que são cobrados de emissoras de televisão, rádio, do mundo inteiro. Tudo isso em benefício da Fifa. Toda espécie de produto em benefício dessa entidade ou seus associados. No contexto de uma entidade com essa capacidade extraordinária de gerar renda privada, faz sentido essa exoneração fiscal tão ampla com a motivação de que vai gerar benefícios à imagem do país?” Diante de tanta controvérsia, a conclusão mais próxima da realidade é que a Fifa e o PT têm tudo a ver.
A frase que não foi pronunciada
“Olhe sempre para o céu! Pode cair uma privada na sua cabeça!”
Conselho imaginário para turistas que virão para a Copa do Mundo
Coluna Visto, lido e ouvido - Ari Cunha/ Circe Cunha - Correio Braziliense - 05/05/2014

