Acomodar os jatinhos que transportarão chefes de Estado, autoridades e outros VIPs ainda é um dos maiores desafios da Copa do Mundo. As aeronaves particulares devem carregar um em cada nove dos 600 mil visitantes estrangeiros durante os jogos. Cerca de 3 mil aviões executivos são esperados para o torneio. A promessa, apontam líderes do setor, é de um verdadeiro “enxame” no céu do Brasil. E Brasília não vai ficar de fora. Cidade-sede de sete dos 64 jogos do Mundial, a capital deve ser a segunda região do País mais visitada entre junho e julho. Por isso, é possível faltar espaço no Aeroporto JK.
“O governo não investiu em infraestrutura. Deixou para a última hora e não se preocupou com o espaço nos pátios. Ele não conduziu esse processo de forma a não gerar transtornos na segurança de voo. Perdemos a oportunidade de investimentos grandes. Estamos realmente preocupados com a situação e só agora parece que os órgãos responsáveis acordaram para a realidade que enfrentamos. Não vai ser fácil”, afirmou o presidente da Associação Brasileira de Táxis Aéreos (Abtaer), Milton Arantes Costa.
Turistas
Segundo levantamento do Ministério do Turismo, Brasília pode receber até 500 mil turistas durante o Mundial. Destes, 79 mil serão estrangeiros. Apenas o astro da seleção portuguesa, Cristiano Ronaldo, fretou quatro jatinhos executivos para trazer sua família e amigos aos jogos, de acordo com a Força Aérea Brasileira (FAB). Vale lembrar que no dia 26 de junho os portugueses enfrentam Gana no Estádio Mané Garrincha.
Como a aviação regular tem prioridade, o receio é que os jatos executivos disputem espaço aéreo e infraestrutura dentro do JK. “Não temos pátio para parar essas aeronaves”, diz Arantes Costa. “O período poderia ser lucrativo, mas não foram criadas políticas específicas para o segmento. Agora, as empresas estão preocupadas com as dificuldades operacionais que terão de enfrentar e com as multas da Anac”, salientou.
Alternativas criadas
Apesar de não ter o levantamento de quantas aeronaves privadas podem pousar no Aeroporto JK durante a Copa, a Secretaria de Aviação Civil afirma que 18,1% dos 330 slots disponibilizados - operações de pouso ou decolagem - já foram reservados para os dias dos jogos. O órgão reconhece que podem faltar vagas para estacionar os jatinhos na principal base da capital. Por isso, foi criado um Plano Operacional que prevê a utilização de 45 aeródromos próximos às cidades-sede em caso de necessidade.
De acordo com o secretário-executivo do órgão, Guilherme Ramalho, a aviação executiva terá suas operações condicionadas à disponibilidade de horário e espaço para pousos. "Teremos 123% vagas a mais para aeronaves nos aeroportos, passando de 1.329 para 2.970 vagas. Para isso, usaremos aeroportos secundários", explicou. Também foram programadas operações especiais para a chegada e partida das 32 seleções que disputarão o Mundial. "Teremos totais condições para atender a essas demandas específicas do campeonato", completou.
Demanda X capacidade
Hoje com 17 hangares, o Aeroporto de Brasília tem capacidade para até 267 aeronaves, dependendo do tamanho delas. “O nosso grande desejo era fazer um belo espetáculo. Mas, com a demanda que vamos ter e a real capacidade dos aeroportos, a tendência é de uma bagunça aérea. Os principais prejudicados serão os passageiros”, disse o presidente da Abtaer, Milton Arantes Costa.
Demanda
A Inframerica, atual administradora do Aeroporto JK, avalia, no entanto, que a demanda está dentro da normalidade. “Com as obras de reforma e ampliação, o número de posições remotas do aeroporto passou de 27 para 42”, disse.
O consórcio explicou também como funciona o processo de autorização para pouso e decolagem no local. “O primeiro passo é solicitar ao Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea da Aeronáutica (CGNA), um slot”. Depois de confirmadas as permissões, é necessário entrar em contato com o hangar.
Caso o dono de jatinho não tenha contrato com nenhum operador de hangar, deve acionar o Centro de Operações Aeroportuárias (COA) do Aeroporto de Brasília, para solicitar uma posição no pátio. A aeronave pode permanecer por uma hora e meia na posição e em seguida deve seguir viagem.
No Brasil, só para a grande final, aponta a Secretaria de Aviação Civil, pelo menos 700 aeronaves executivas devem pousar nos aeroportos do País. Na tentativa de evitar um caos aéreo, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) estabeleceu um pacote de medidas punitivas em casos de abusos dos donos de jatinhos.
As punições vão desde o reboque até a proibição de uso da estrutura do aeroporto. As multas variam de R$ 12 mil a R$ 90 mil. As autorizações para pousos e decolagens solicitadas e concedidas que não forem utilizadas vão resultar em multa de R$ 12 mil a R$ 30 mil para empresas; e de R$ 7 mil a R$ 21 mil para pessoas físicas. Se o slot for usado, mas em horário diferente do autorizado, a empresa terá de pagar multa de R$ 24 mil a R$ 60 mil e, no caso de pessoa física, entre R$ 21 mil e R$ 42 mil.
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília - Carla Rodrigues - 25/05/2014
