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VEJA DIZ QUE ROSEMARY NORONHA FEZ CHANTAGEM CONTRA O GOVERNO DILMA, MAS NÃO É VERDADE

Carlos Newton
Reportagem bombástica de Robson Bonin, na Veja, diz que Rosemary Noronha, ex­-chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo, “chegou ao extremo de ameaçar envolver o governo no escândalo”.
E o texto da revista segue nesse diapasão, batendo o tempo todo em Rosemary e defendendo o governo Dilma, dizendo que “no Palácio do Planalto, a ordem era aprofundar as investigações”.
“Em 2013, no auge das investigações, quando ainda lutava para provar sua inocência, a ex-se­cretária Rosemary procurou ajuda entre os antigos companheiros do PT — inclusive Lula, o mais íntimo deles. Desempregada, precisando de dinheiro para pagar bons advogados e com medo da prisão, ela desconfiou que seria abandonada. Lula não atendia suas ligações. O ex-ministro José Dirceu, às vésperas da fase final do julgamento do mensalão, estava empenhado em salvar a própria pele e disse que não podia fazer nada”, afirma a Veja.
CONVERSA FIADA 1 - Rosemary nunca correu risco de ser abandonada nem precisou chantagear o governo Dilma. Lula jamais deixou de atender suas ligações. Dirceu, amigo pessoal de Rose, ajudou diretamente a armar a defesa. Desde o início, o PT paga os advogados dela. E Lula sempre participou de tudo, mantendo inclusive encontros pessoais com advogados de Rose.
“Magoada com o PT por ter permitido que a Casa Civil aprofundasse as investigações sobre suas traficâncias, Rose destila ódio contra a então ministra Gleisi Hoffmann (…). Rose acreditava que o próprio Palácio do Planalto estava por trás das revelações sobre o desfecho da sindicância — “a porcaria toda” — que apontava, entre outras irregularidades, o seu enriquecimento ilícito no cargo“, assinala a Veja, acrescentando:
“Com o fundo do poço cada vez mais próximo, Rosemary decidiu arrastar para dentro do escândalo figuras centrais do Planalto e, se possível, a própria presidente Dilma Rousseff. A estratégia consistia em constranger os antigos colegas de governo pressionando-os a depor no processo que tramitava na Controladoria-Geral da União. “Quero colocar o Beto e a Erenice Guerra”, diz Rose em uma mensagem. “Você quer estremecer o chão deles?”, questiona o interlocutor. “Sim”, confirma Rose. “Porque vai bombar. Gilberto Carvalho também?”, indaga. “O.k.”, devolve ela. As autoridades que deveriam “estremecer” não foram escolhidas por acaso. Atual chefe de gabinete da presidente Dilma Rousseff, Beto Vasconcelos era na ocasião o número 2 da Casa Civil. Ao lado da ex-ministra Erenice Guerra, ele servira a Dilma no Planalto durante anos”.
CONVERSA FIADA 2 - O diálogo descrito por Veja é patético e altamente imaginativo. Quem decidiu convocar Carvalho, Beto e Erenice para depor foi um dos advogados, e Rose nada teve a ver com isso, jamais se intrometeu na estratégia da defesa. Nas reuniões com os advogados, inclusive com a presença de Lula e Dirceu, ela sempre entrava muda e saía calada.
Na verdade, Veja não sabe nada sobre Rose. Por isso, o enredo rocambolesco da reportagem foi ficando cada vez mais ridículo. A matéria, por exemplo, diz que Rose ameaçava envolver o Planalto para se reaproximar de Lula, a quem ela chamaria de “Deus”. E o texto destaca que a estratégia de Rose para chantagear o Planalto foi justamente a indicação das testemunhas Gilberto Carvalho, Beto Vasconcelos e Erenice Guerra no processo da CGU.
“Não se sabe exatamente o que aconteceu a partir daí, mas a estratégia funcionou. Um dos homens mais próximos a “Deus”, Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, cuidou pessoalmente de algumas necessidades mais imediatas da família de Rosemary durante o processo. Além de conseguir ajuda para bancar um exército de quase quarenta juristas das melhores e mais caras bancas de advocacia do país, a ex-se­cretária reformou a cobertura onde mora em São Paulo e conseguiu concretizar o antigo projeto de ingressar no mundo dos negócios”, diz a matéria, assinalando:
“Rosemary comprou uma franquia da rede de escolas de inglês Red Balloon. Para evitar problemas com a ficha na polícia, o negócio foi colocado no nome das filhas Meline e Mirelle e do ex-marido José Cláudio Noronha. A estratégia para despistar as autoridades daria certo não fosse por um fato. A polícia já havia apreen­dido em 2012, na casa de Rose, todo o planejamento para aquisição da franquia. Os documentos mostravam que o investimento ficaria a cargo da quadrilha que vendia influência no governo. Na época, a instalação da escola foi orçada em 690 000 reais — padrão semelhante aos valores praticados atualmente no mercado —, dinheiro que Rosemary e seus familiares não possuíam”.
CONVERSA FIADA 3 – Nessa parte final, em meio à conversa fiada, enfim aparecem as únicas novidades trazidas pela matéria da Veja: a reforma da cobertura onde Rose mora e a criação da franquia do curso de inglês, em nome da filhas e do ex-marido. O resto é tudo uma viagem psicodélica, em mais um “vazamento” direto do Palácio do Planalto, na tentativa de fazer Lula desistir de voltar à Presidência. O Planalto acha que “plantar” matéria na Veja é crime perfeito, ninguém desconfia. Puxa, como são amadores…
Detalhe importantíssimo: a primeira matéria denunciando Rose e o processo na Corregedoria Geral da União foi feita pelo mesmo repórter e na mesma Veja. É a segunda vez que o Planalto fala através dele, digamos assim.
O pior é que o efeito pode ser inverso. Lula realmente gosta de Rose e a protege. Nada falta (nem faltará) a ela e a sua família. Esta reportagem conjunta Veja/Planalto deixou furioso o ex-presidente,  e o vazamento destas  informações contra sua protegida pode ser a gota d’água, como diziam Chico Buarque e Ruy Guerra. Vamos aguardar o troco.
E daqui a pouco a gente volta, para comentar o suspense da nova pesquisa do Ibope, que deve ser divulgada hoje pela Rede Globo.
Fonte-Portal: Tribuna da Internet 

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