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Eleições » Silêncio de Dilma deixa livre palanque da oposição

Vaiada nas últimas duas edições da Marcha dos Prefeitos, a petista desiste de participar do evento e assegura o palanque para Aécio Neves e Eduardo Campos na presença de 3 mil prefeitos em Brasília.
"Em 1999, estávamos alinhados com Rússia, Índia e China, formando os Brics. Hoje, estamos próximos da Indonésia e da Turquia, compondo os Freaks (anormal em inglês)", Aécio Neves, presidenciável do PSDB.

Os dois principais presidenciáveis da oposição, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), aproveitaram a ausência da presidente Dilma Rousseff na XVII Marcha a Brasília em defesa dos Municípios para prometer ao prefeitos políticas públicas municipalistas e atacar o governo federal, acusando-o de centralizador. “Um país complexo como o Brasil não pode ser governado de maneira unitária e centralizadora”, disse Aécio. “A história nos mostra que os recursos públicos só ficaram concentrados em Brasília nos momentos em que o país viveu períodos de exceção”, afirmou Campos. 

"Os recursos públicos só ficaram concentrados em Brasília nos momentos em que o país viveu períodos de exceção", Eduardo Campos, presidenciável do PSB.

Muito aplaudidos pelos 3 mil prefeitos presentes no evento, tanto o tucano quanto o socialista criticaram a ausência de Dilma no evento. “O problema do país não são os brasileiros, e sim esse governo, que age sem compromisso com o crescimento e sem responsabilidade”, criticou Aécio. “Eu estou aqui em sinal de respeito ao povo que elegeu vocês, em respeito à vontade popular que os conduziu ao cargo para cuidar das necessidades de suas cidades”, disse o presidenciável do PSB. 

Pela primeira vez desde que foi eleita, em outubro de 2010, a presidente Dilma Rousseff não compareceu à marcha dos prefeitos. Ela foi vaiada em 2012 e em 2013. No primeiro ano, as queixas estavam concentradas na exclusão dos municípios da distribuição dos recursos do pré-sal. No ano passado, os apupos estavam relacionados à recusa de apoiar o aumento do percentual de recursos destinados ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

AusênciaSegundo apurou o Correio, a presidente avaliou que o encontro de prefeitos de ontem transformou-se em um palco para os discursos oposicionistas. Por isso, optou, de última hora — a decisão final só foi tomada após as 22h da noite de terça — por não comparecer ao debate promovido pelo presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, com quatro presidenciáveis: além de Aécio e Eduardo, estavam presentes Randolfe Rodrigues (PSol) e Pastor Everaldo (PTC).

Fontes palacianas reconhecem que o governo federal até poderia contar com a ajuda de prefeitos petistas para reprimir possíveis vaias, e que teria um discurso consistente para rebater as críticas, como o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida e o Programa Mais Médicos. “Vamos fazer esse discurso diretamente para o povo durante as viagens, sem precisar falar para os prefeitos”, justificou um aliado do governo.

Os pré-candidatos tucano e socialista souberam aproveitar o espaço vago deixado pela petista. “O país vive um período de crescimento pífio, de inflação descontrolada, de falta de credibilidade. Em 1999, estávamos alinhados com Rússia, Índia e China, formando os Brics. Hoje, estamos próximos da Indonésia e da Turquia, compondo os Freaks (louco, anormal em inglês)”, comparou Aécio.

O senador mineiro também afirmou que ninguém governa um país como o Brasil sem coragem. “Se for eleito em outubro, prometo não governar de olho apenas nas taxas de popularidade, mas governar com respeito e responsabilidade a todos os brasileiros”, acrescentou.

Ao lado da pré-candidata a vice na chapa, a ex-senadora Marina Silva, Eduardo Campos afirmou que, se os prefeitos estão satisfeitos com o atual momento vivido pelo país, basta deixar tudo como está e reeleger a presidente Dilma. “Se não estão (satisfeitos), estamos aqui para dizer que vamos mudar o Brasil”, declarou. 


Lista de promessas Confira os compromissos dos presidenciáveis do PSDB e do PSB com os prefeitos 

Aécio Neves» O governo federal só fará desonerações de tributos com a parte dos recursos que cabem à União, não com as verbas que pertencem a estados e a municípios, como os impostos que compõem o Fundo de Participação dos Estados (FPE) e o Fundo de Participação dos Municípios (FPM). O tema contas na Proposta de Emenda à Constituição 31, que tramita no Congresso, de autoria do senador mineiro.

» Diminuição do número de ministérios e implementação da meritocracia para diminuir a burocracia na máquina pública. 

» Não contingenciar os recursos destinados à Saúde e aplicar integralmente o orçamento da pasta.

» A Lei de Responsabilidade Fiscal é mais draconiana nas exigências a estados e a municípios, especialmente no tocante às dívidas. Aécio quer que a União também seja cobrada se aumentar despesas acima das receitas disponíveis.

» Elevar para 10% do PIB os recursos para a educação.

» Implementar uma agenda federativa. 

Eduardo Campos» Elevar, em quatro anos, os recursos da Saúde para um montante equivalente a 10% da receita corrente líquida. 

» Criar um Conselho Nacional de Responsabilidade Fiscal, com representantes da União, dos estados e dos municípios, para evitar a criação de despesas sem a apresentação de fontes de receita.

» Diminuir a burocracia estatal na liberação de recursos para governadores e prefeitos.

» Apoiar, no Congresso, a elevação de 1% para 2% do percentual de recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).



FONTE: PAULO DE TARSO LYRA - ANDRÉ SHALDERS - CORREIO BRAZILIENSE - 15/05/2014

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