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ELEIÇÕES » Rede confirma Marina como vice de Eduardo

No primeiro congresso do partido informal, pré-candidata à Vice-Presidência discursa a favor da "aliança programática" com o PSB e outras legendas em nome da governabilidade.

Marina Silva dá entrevista após o congresso da Rede: ex-ministra defende a aliança com o PSB como o "próximo passo", o que há de "novo" na política.

Na plateia, gritos de “Marina presidente”, mas isolados. O primeiro congresso da Rede Sustentabilidade — o partido não registrado oficialmente por Marina Silva — homologou a candidatura dela como candidata a vice-presidente na chapa de Eduardo Campos (PSB). No discurso, a ex-senadora foi incisiva ao dizer que estava ali no papel de vice, tratando logo de tirar de cena qualquer hipótese de rusgas com Eduardo ou o PSB, legenda à qual se filiou para disputar as eleições. 

Embora confortável nessa posição, ela deixou claro o projeto: “A perspectiva que temos é compartilhar um legado. O legado da luta socioambiental no nosso país. São quase 30 anos, na busca da sustentabilidade em todas as suas dimensões: econômica, social, ambiental, cultural, política, ética e, por que não dizer, estética. A mudança é o avanço no modelo de desenvolvimento”, disse. Ela tratou de colocar todos os avanços do Brasil — passados, presentes e futuros — como uma conquista de todos: “Não podemos ter uma visão de fulanizar as conquistas”, mencionou.

Ao defender que ninguém isoladamente é dono das conquistas, Marina foi do PMDB aos próprios integrantes da Rede, passando ainda pelo PSDB e pelo PT sem citar um só político diretamente. “Nada de grandioso que aconteceu foi feito por uma pessoa ou por um partido. A nossa democracia foi conquista de várias pessoas, de vários partidos, de vários intelectuais. Uma luta daquele tamanho não podia ser monopólio de uma pessoa. Depois, o esforço de muitos, em lugares diferentes, nos levaram a conquistas importantes, como o legado da estabilidade econômica, agora cada vez mais fragilizado; o da inclusão social, com a contribuição dos dois partidos que passaram e de alguns que estão ainda no governo”, disse Marina, referindo-se à Rede e ao PSB como o “próximo passo”, ou seja, o novo. 

Diálogo
À Rede, o recado da necessidade de dialogar com outras forças políticas foi mais direto: “Precisamos mudar o modelo de desenvolvimento. Sair da forma predatória que compromete a regeneração do planeta. Não é com passe de mágica, é preciso uma agenda que coloque o país nisso. Não temos que ter a pretensão de que a verdade está com cada um de nós individualmente, é nesse espaço, entre nós, que teremos que construir a verdade”, disse Marina, ressaltando o fato de o presidente do PSB, Eduardo Campos, ter aceitado a oferta da Rede. 

“Aliança programática com o PSB já dá uma indicação desse nosso desejo de mudar a política. Geralmente, as pessoas fazem esses movimentos para compartilhar um palanque, uma eleição. A coligação não dá ao candidato um minuto de televisão, mas ideias e projetos a serem construídos”, disse ela, referindo-se, ainda, à necessidade de governabilidade. “Mas não pode ser um nome de um pedaço do estado para chamar de seu. Tem que ser em nome de um programa. Quem é convidado para compor o governo, vai lá para implementar um projeto. Se conseguirmos fazer isso no Brasil, a gente dá uma grande contribuição. Hoje, todos eles, o futuro e o presente estão ameaçados pelo atraso na política”, frisou.

À mesa com Marina, além dos integrantes da Rede, figuras de destaque, como a ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça Eliana Calmon (PSB), que concorrerá ao Senado na Bahia, e o senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), pré-candidato a governador, representando Eduardo Campos, que não pôde comparecer por causa de compromissos assumidos anteriormente em São Paulo. Em discurso, Eliana fez questão de registrar as dificuldades daqueles que tentam ingressar na carreira política. Citou, por exemplo, “as dificuldades impostas pela legislação eleitoral, feita para que as coisas não aconteçam em termos de renovação”, o que provocou aplausos na plateia.

A Rede não teve problemas em fazer o seu congresso e oficializar Marina simbolicamente como candidata a vice porque o partido não tem registro oficial, portanto, foi apenas um gesto político. Como bem definiu a ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente de Lula, “não temos registro, mas todo mundo nos reconhece como partido”. “Todos achavam que as mudanças profundas em todos os setores, provocadas pela nova forma de comunicação, não chegariam à política, mas chegaram, e está em construção um novo sujeito político. Nunca tivemos tanta liberdade e tanta impotência para mudar o que de fato interessa. É um momento de crise na política. Precisamos compreender o que esse novo sujeito está nos dizendo e tirar a política do lugar da demanda para ser colocada no lugar da oferta”, afirmou. 

Copa contra o estigma de “vira-lata”
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, acredita que a Copa do Mundo servirá para acabar com a síndrome de “vira-lata” do Brasil. Segundo ele, chegou a hora de ficar para trás “aquela história de o país vira-lata, que não consegue fazer as coisas, que está tudo uma desgraça”. Carvalho disse que “o clima está mudando” com a proximidade do Mundial, e as obras previstas para o evento passam a ser entregues e vistas pela população. “Dizia-se que ia ser um caos, não vai”, afirmou, após o Fórum Regional Ideias Para o Brasil, da Fundação Perseu Abramo, em São Paulo.

“Nunca tivemos tanta liberdade e tanta impotência para mudar o que de fato interessa. É um momento de crise na política. Precisamos compreender o que esse novo sujeito está nos dizendo e tirar a política do lugar da demanda para ser colocada no lugar da oferta”



Marina Silva (PSB), pré-candidata à Vice-Presidência da República



Por: Denise Rothenburg - Correio Braziliense - 18/05/2014

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