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DF: Violência assusta comerciantes, insegurança.

Assaltantes arrombaram ótica na área comercial e não perdoaram os porteiros da residencial em ataque registrado na madrugada de domingo. Crimes deixaram ainda mais inseguros comerciantes e moradores da quadra.
Comércio da 107/108 Sul: proprietários das lojas reclamam de seguidos assaltos depois do fechamento de uma unidade policial no local.

Reféns da insegurança, moradores e comerciantes dos arredores da 107 Sul estão assustados. Proprietários de lojas prometem fechar as portas após sucessivos assaltos. Na madrugada do último domingo, a quadra sofreu um arrastão. Primeiro, uma ótica foi alvo de bandidos, que quebraram um vidro e abriram um buraco pela grade de ferro. Fugiram com mais de R$ 40 mil em mercadorias. Em seguida, por volta das 4h, porteiros dos blocos F e J da área residencial foram abordados por criminosos armados, que levaram documentos e um celular. Existe a suspeita de que os mesmos assaltantes atacaram a quadra.

As câmeras de segurança da ótica flagraram um homem invadindo o estabelecimento por volta das 3h50, enquanto outras três pessoas, entre elas uma mulher, ficaram do lado de fora dando cobertura à ação. Embora o alarme tenha soado, o grupo escapou com pelo menos 40 óculos. O ladrão que retirou os produtos da loja usava capuz, o que dificulta a identificação por meio do circuito interno de vigilância. A PM fez rondas nas imediações e localizou 19 armações na 307 Sul.

“Passamos por isso umas cinco vezes. Já entraram aqui pela lateral, pela frente, pela janela, pela porta. Todas as vezes, à noite. Vamos precisar adotar outras estratégias de segurança. Talvez fechar a parede”, queixou-se o sócio-proprietário Adilson Santana. A gerente do comércio acredita que o fechamento de uma unidade da PM nas imediações tenha relação com o aumento dos crimes. “Era uma base da polícia de trânsito, mas, mesmo assim, acho que inibia”, disse Maria de Jesus Matos, funcionária da ótica há 28 anos. O furto é investigado pela 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul).

Do outro lado da rua, uma loja de artigos esportivos sofreu três roubos neste ano. Em um deles, os bandidos estavam armados. “Tivemos uns R$ 80 mil de prejuízo. Por isso, vamos fechar. Ninguém aguenta mais essa insegurança e, pior, a falta de policiamento. Só chegam à quadra para multar”, reclamou o proprietário, Carlos Nogueira. Segundo ele, em um dos casos, um adolescente levou os funcionários para o fundo do imóvel e ameaçou atirar. “Ele disse que era menor e que não aconteceria nada com ele se apertasse o gatilho. Então, acho que um dos caminhos para a mudança é reduzir a maioridade penal”, defendeu.

Além disso, uma butique foi invadida três vezes no mês passado. Segundo a dona, Melissa Medeiros, no último episódio, o criminoso permaneceu cerca de uma hora dentro do estabelecimento, e a polícia, mesmo acionada, não apareceu. “Depois disso, as vendedoras pediram demissão. Uma delas nem quis voltar para pegar a rescisão. Pediu para depositar no banco”, contou. Ela também anunciou o fechamento do comércio, uma vez que calcula perdas na ordem de R$ 10 mil. “Não existe retorno da polícia, e não sabemos a quem recorrer. Quando ocorreram os crimes aqui, pegaram as digitais e as filmagem das câmeras, mas não fizeram nada”, reforçou.

"Antes, sentíamos certa segurança com a dupla Cosme e Damião, mas, agora, não a vemos mais na rua. Por isso, não podemos sair de casa" Nancy Barreto, prefeita da 107 Sul.

Cosme e Damião

A prefeita da 107 Sul, Nancy Barreto, há 21 anos à frente da função, também se queixa da violência. “Por ser pioneira, sei da história de Brasília e sinto muito a diferença daqueles tempos para os de hoje. Antes, sentíamos certa segurança com a dupla Cosme e Damião, mas, agora, não a vemos mais na rua. Por isso, não podemos sair de casa”, afirmou. Segundo ela, o perfil comunitário da polícia se perdeu. “Seria ideal que eles (PMs) conhecessem os moradores e soubessem das demandas, mas o que vemos é a instalação desse círculo vicioso de crimes”, completou.

"Passamos por isso umas cinco vezes. Já entraram aqui pela lateral, pela frente, pela janela, pela porta" Adilson Santana, dono de ótica assaltada no domingo, com Maria de Jesus, Melissa Medeiros e Carlos Nogueira.

Por meio da assessoria de Comunicação, a Polícia Militar informou ao Correio que “o policiamento é realizado por motos, viaturas e bases móveis. Abordagens e prisões são realizadas diariamente”.


Por: Mariana Laboissière - Cporreio Braziliense - 06/05/2014    

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