
Pedro do Coutto
O encontro nacional que o PT realizou sexta-feira em São Paulo, com a presença do ex-presidente Lula, para reafirmar a candidatura à reeleição de Dilma Rousseff, sobretudo pela repercussão assinalada pelo Globo, Folha de São Paulo e o Estado de São Paulo, os três principais jornais do país, tornou irreversível a presença da atual chefe do Exército nas urnas de outubro deste ano. Em artigo anterior, eu já havia focalizado a direção que o tema ia tomar, no momento reforçado pelo gestor e pelo pronunciamento de Luís Inácio da Silva.
Aliás, os fatos políticos da semana passada foram bastante expressivos. Além da ênfase da Lula no apoio, a reportagem de Cleide Carvalho, O Globo 25de abril, derrubou de modo definitivo a candidatura do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha ao governo paulista. Não bastasse o texto, uma foto provavelmente divulgada pela internet obriga o Partido dos Trabalhadores a escolher um nome que o substitua. Principalmente porque o desenrolar dos acontecimentos no primeiro colégio eleitoral do país (pesa 23 por cento) inevitavelmente reflete-se no rumo das eleições para o Planalto.
AÉCIO E CAMPOS
Outro fato que possivelmente influirá na pesquisa que o Datafolha divulgará esta semana, foi à aproximação entre os candidatos Aécio Neves e Eduardo Campos. Ambos, claro, empenham-se para que haja segundo turno no pleito para presidente e um deles enfrente Dilma Rousseff, que, se não vencer no primeiro, tem presença assegurada no segundo.
É lógico, porém, estando na frente de Campos, as fotos publicadas nos jornais só podem favorecer Aécio e a conseqUência do erro tático foi logo traduzida na reação contrária de Marina Silva. Ela é vice do ex-governador de Pernambuco, e não base de apoio do senador por Minas Gerais, segundo maior reduto de votos do Brasil. Aécio Neves e Eduardo Campos cometeram um equívoco. Os políticos importantes também erram. Pois abalando o ex-governador de Pernambuco, Neves torna mais difícil uma segunda convocação do eleitorado.
PADILHA FORA
Mas e a questão de São Paulo? O PT precisa recorrer a outro nome para entrar em campo no lugar de Padilha. Quem poderá ser? Os ministros Aloísio Mercadante, da Casa Civil, e Marta Suplicy, tornaram-se inelegíveis, uma vez que não deixaram os cargos até 5 de abril, seis meses antes, como determina a legislação eleitoral. Paulo Skaf, presidente da Confederação Nacional da Indústria, é candidato pelo PMDB. Que fazer? Um dilema complicado.
A solução, sustenta meu amigo Sérgio Wilson, do quadro técnico de Furnas, é tentar convencer Lula a disputar o governo paulista. Não será tarefa fácil, claro, mas só a colocação da perspectiva forçará um recuo de Geraldo Alckmim no apoio a Aécio Neves, embora ambos sejam do PSDB. Por quê? Simplesmente porque Alckmin sabe que Lula só poderá aceitar se a vitória de Dilma correr algum risco. São Paulo, Minas e Rio de Janeiro representam a metade de todo eleitorado nacional. Se Aécio não constituir uma ameaça, a área paulista não se tornará tão importante para o PT. Principalmente na medida em que, indiretamente, por inação, o governador não se empenhar na campanha de seu correligionário. Minas é Minas; São Paulo é São Paulo.
Fonte: Portal Tribuna na Internet - 06/05/2014
