Que me desculpem os especialistas, mas darei as minhas caneladas no debate sobre a mobilidade urbana e o futuro da cidade. “Com que autoridade?”, me perguntam e respondo: eu sou um usuário, não disso que vocês estão pensando, mas do transporte público. Sei que essa condição não confere status e tomar ônibus é algo que desclassifica o cidadão em Brasília. Mas estou vendo e experimentando o resultado dessa política nas ruas, com os engarrafamentos, os carros em cima das calçadas e a poluição do ar. Ela é burra porque tenta contrariar a lei da física, segundo a qual dois corpos físicos não ocupam o mesmo lugar no espaço.
Li, na semana passada, no caderno Cidades, reportagem de Adriana Bernardes e Rodolfo Costa alertando que, se não forem tomadas providências urgentes, o trânsito de Brasília vai parar. E, pasmem, o aviso não parte de alguma avaliação extraída a partir de estudos em centros de pesquisa das universidades. O sinal amarelo vem de uma simulação feita pelo Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU) do próprio GDF.
Claro que o caos é obra dos desmandos de sucessivos desgovernos ao longo de décadas. Mas, mesmo assim, não deixa de causar espanto a lentidão do atual governo em atacar o grave problema enquanto há tempo. Ele fez uma faxina na máfia das empresas que dominavam o transporte público no DF e substituiu os ônibus velhos por novos. Mas ainda é muito pouco, trocou seis por meia dúzia, mantendo o mesmo número de veículos e o sufoco para os usuários. Isso é insuficiente para estimular os brasilienses a deixaram os carros nas garagens e usarem o transporte público.
Em face dessa situação dramática, desenhada pelos próprios órgãos especializados, o que o governo local faz? Lança o famigerado PPCub, que, entre outros despautérios, propõe a criação de um novo bairro no já sufocado Sudoeste e libera a construção de um estacionamento subterrâneo na Esplanada dos Ministérios. Obviamente, essas duas medidas contribuirão decisivamente para acelerar o caos cotidiano do trânsito vivenciado pelos brasilienses.
O Sudoeste já sofre com o adensamento da população e não suporta mais nenhuma aglomeração urbana. Basta circular de carro por aquelas paragens durante os horários de pico. Um novo bairro vai jogar mais carros nas ruas. Construir estacionamento subterrâneo na Esplanada é a melhor maneira de piorar a situação, pois estimulará ao individualismo de veículos no centro da cidade.
Seria muito útil para a cidade se o governo local investisse o mesmo açodamento e energia despendido pela aprovação do PPCub em favor do encaminhamento efetivo dos problemas de mobilidade urbana, que ele mesmo já mapeou e sabe quais são as soluções. Brasília ainda é um lugar em que, apesar de todas as administrações desastradas, quem mora no Plano Piloto se dá ao luxo de almoçar em casa. Esse privilégio está com os dias contados se a questão continuar a ser empurrada com a barriga.
Se a Câmara Distrital aprovar o PPCub, assinará um atestado de irresponsabilidade definitiva em relação ao futuro da cidade, pois esse plano produzirá graves consequências para a qualidade de vida de Brasília.
Por: Severino Francisco - Crônica da Cidade - Correio Braziliense - 05/05/2014
Li, na semana passada, no caderno Cidades, reportagem de Adriana Bernardes e Rodolfo Costa alertando que, se não forem tomadas providências urgentes, o trânsito de Brasília vai parar. E, pasmem, o aviso não parte de alguma avaliação extraída a partir de estudos em centros de pesquisa das universidades. O sinal amarelo vem de uma simulação feita pelo Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU) do próprio GDF.
Claro que o caos é obra dos desmandos de sucessivos desgovernos ao longo de décadas. Mas, mesmo assim, não deixa de causar espanto a lentidão do atual governo em atacar o grave problema enquanto há tempo. Ele fez uma faxina na máfia das empresas que dominavam o transporte público no DF e substituiu os ônibus velhos por novos. Mas ainda é muito pouco, trocou seis por meia dúzia, mantendo o mesmo número de veículos e o sufoco para os usuários. Isso é insuficiente para estimular os brasilienses a deixaram os carros nas garagens e usarem o transporte público.
Em face dessa situação dramática, desenhada pelos próprios órgãos especializados, o que o governo local faz? Lança o famigerado PPCub, que, entre outros despautérios, propõe a criação de um novo bairro no já sufocado Sudoeste e libera a construção de um estacionamento subterrâneo na Esplanada dos Ministérios. Obviamente, essas duas medidas contribuirão decisivamente para acelerar o caos cotidiano do trânsito vivenciado pelos brasilienses.
O Sudoeste já sofre com o adensamento da população e não suporta mais nenhuma aglomeração urbana. Basta circular de carro por aquelas paragens durante os horários de pico. Um novo bairro vai jogar mais carros nas ruas. Construir estacionamento subterrâneo na Esplanada é a melhor maneira de piorar a situação, pois estimulará ao individualismo de veículos no centro da cidade.
Seria muito útil para a cidade se o governo local investisse o mesmo açodamento e energia despendido pela aprovação do PPCub em favor do encaminhamento efetivo dos problemas de mobilidade urbana, que ele mesmo já mapeou e sabe quais são as soluções. Brasília ainda é um lugar em que, apesar de todas as administrações desastradas, quem mora no Plano Piloto se dá ao luxo de almoçar em casa. Esse privilégio está com os dias contados se a questão continuar a ser empurrada com a barriga.
Se a Câmara Distrital aprovar o PPCub, assinará um atestado de irresponsabilidade definitiva em relação ao futuro da cidade, pois esse plano produzirá graves consequências para a qualidade de vida de Brasília.
Por: Severino Francisco - Crônica da Cidade - Correio Braziliense - 05/05/2014

