O alvo, claro, é governo e
Estado brasileiros. Antes, aliados de sangue. Agora, um inevitável parceiro
indesejado.
Às vésperas da Copa, e tentando se
descolar das questões mais espinhosas que cercam a infra-estrutura e a
organização do evento, a Fifa foi ao ataque durante esta semana. Com a
inevitável nova onda de protestos e uma avalanche de críticas de todos os
lados, a entidade tenta, no conjunto da obra, salvar a própria pele.
A estratégia, captada em todas as
declarações da semana, é reforçar, e separar, o que seria de
responsabilidade da Fifa e do governo. Mas vai além: começa a lavar roupa
suja e a dar nome aos bois. O alvo, claro, é governo e Estado brasileiros.
Antes, aliados de sangue. Agora, um inevitável parceiro indesejado.
Vamos aos fatos, ou melhor, às aspas de
Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, todas fornecidas bem longe das
fronteiras do Brasil. ...
Em evento na segunda, dia 7, em
Lausanne, Suíca, ao lado de Gilbert Felli, o interventor do COI para os Jogos
do Rio de 2016:
Vivemos um inferno
“Quanto à crítica sobre as despesas, é
verdade que nós (Fifa) temos uma responsabilidade moral. Dou um exemplo: num
dado momento havia um certo número de pessoas, no Brasil, entre eles,
políticos, que se opunham à Copa do Mundo. Vivemos um inferno, sobretudo porque
no Brasil há três níveis políticos, houve mudanças, uma eleição (de Dilma
Rousseff), mudanças, e não discutíamos mais necessariamente com as mesmas
pessoas. Foi complicado, porque a cada vez tínhamos de repetir a mensagem.”
Não simplesmente um governo
“Talvez (no futuro) tenha de ser a mais
alta autoridade representante do povo que seja associada a uma decisão de uma
candidatura e não simplesmente um governo, um chefe de Estado e seus ministros
que passam com o tempo. Que seja uma representação global do País”
Como você pode duvidar do Brasil?
“Lembro que me diziam: como você pode
duvidar do Brasil? Nós organizamos o Carnaval do Rio todos os anos com 3
milhões de pessoas. Mas no carnaval são pessoas do Rio e que tem seus
apartamentos lá. Estão na praia e ficam por lá. As pessoas achavam que era
fácil organizar uma Copa. Mas é um trabalho de verdade. É uma responsabilidade
real”
Em entrevista ao jornal suíco Le Matin,
na terça-feira, dia 8:
Os brasileiros se manifestam contra a
corrupção, não contra Fifa
“Eles (brasileiros) se manifestam
contra a corrupção, contra a decisão de aumentar o preço do ônibus, pela saúde
e pela educação”, rejeitando a tese de que a manifestação ocorra contra a Fifa.
Valcke afirmou ainda que é errado fazer a ligação entre os gastos públicos com
a Copa e o que poderia ser gasto em outros setores
Em entrevista às agências
internacionais esta semana em Zurique, na Suíça:
Brasil não é Alemanha
“Não apareçam no Brasil pensando que é
a Alemanha, que é fácil se mover pelo país. Na Alemanha, você poderia dormir no
carro. No Brasil não. O maior desafio será para eles (torcedores). Não será
para a imprensa, não será para os times e nem dirigentes. Será para os
torcedores”
Tiveram 5 anos para entregar
“Sabíamos disso (dos limites do Brasil
em relação à infra-estrutura de aeroportos). Mas isso era em 2009 e podemos
esperar que você tem cinco anos para um país garantir que as estruturas estejam
instaladas para entregar o que havia sido acordado”.
A Fifa só pediu 8 sedes
“É verdade que você multiplica os
riscos ao ter mais estádios. Mas tivemos uma situação em que tínhamos um
governo e um presidente, que naquele momento era Lula, que te explicam que a
Copa deve ser para todo o Brasil, e não apenas para poucas cidades” (Segundo
ele, foi o governo brasileiro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e
Ricardo Teixeira que fizeram questão de insistir com a Fifa de que a Copa teria
de ocorrer em 12 cidades e que as seleções não poderiam ficar em apenas uma
região do País. A Fifa pede apenas oito sedes)
Não foi fácil sair de Lula para
Dilma
“Encaramos uma eleição geral no Brasil
e não foi fácil sair de Luiz Inácio Lula da Silva para uma nova presidente.
Sempre leva algum tempo para um novo governo entrar nos assuntos e tivemos
também um número elevado de mudanças de ministros”.
Falta de apoio nacional
“Não pode ser apenas a decisão do
presidente ou de um ministro. Mas deve ser apoiado pelo senado, congresso ou
assembleia nacional (a decisão de escolha de um país para ser sede de um
Mundial) . Isso evitaria “potenciais conflitos”.
Fonte: Blog do ANTONIO PRADA -
portal Terra - 09/05/2014 - - 11:04:02 - Blog do Edson Smobra

