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#BrasíliaquerAndar: Alternativa para quem precisa de agilidade

A cada dez veículos do Distrito Federal, um é motocicleta. Frota quase triplicou em uma década.
São centenas. Barulhentas e rápidas. Amadas por uns e detestadas por outros. Gostando ou não, é bom se acostumar com a sua presença, pois à medida em que o trânsito do Distrito Federal piora, as motocicletas têm ganhado cada vez mais espaço e adeptos. Muita gente as considera perigosas, mas é inegável que elas possibilitam uma fuga   dos engarrafamentos – geralmente   pelos   corredores -  além de serem mais baratas, fáceis de estacionar e, para muitos, não só uma paixão como um instrumento de trabalho. 
 
Segundo o  Detran-DF, há   mais de 170 mil motos no DF. Em dez anos, a quantidade motocicletas na capital quase triplicou,  crescendo   192%.   A frota de motos   é a segunda maior da capital:  passou de 7,5%  do total de veículos em 2004, para 11,3%  neste ano, e perde apenas para a de carros.
 
Ainda segundo a pasta, no ano passado, ocorreram 358 acidentes de trânsito com morte no DF. Destes, 38 foram ocasionados por capotagem ou tombamento e outros 13 por queda, todas causas comuns em acidentes com motocicletas.  
 
Exigências
Na tentativa de diminuir esses números, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) traz como exigências específicas a motociclistas e passageiros  “a utilização do capacete de segurança, com viseira ou óculos protetores; dirigir segurando o guidão com as duas mãos e usar vestuário de proteção”. 
 
Além disso, conforme estabelecido na Resolução 168  do Conselho Nacional de Trânsito, a única diferença entre a habilitação tipo A, para motos, e tipo B, para carros, está no exame prático de direção. 
 
Já para a regularização da atividade de motofrete (para atuar como entregador) é necessário ter, no mínimo, 21 anos   e possuir habilitação na categoria A há, pelo menos, dois anos;  fazer o curso especializado oferecido pelo Sest/Senat; solicitar a alteração da licença na CNH e fazer adaptações no veículo. É exigido   um aparador de linha   no guidão e um requerimento da alteração da placa  para veículo de aluguel. 
 
Obrigações deixadas de lado
O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) já fornece gratuitamente aos motociclistas profissionais os novos itens obrigatórios de segurança - colete, faixa refletiva e antena - estabelecidos na Resolução  56  do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). 
 
Ainda assim, há condutores que negligenciam essas obrigações, dirigindo sem habilitação e sem os itens obrigatórios de segurança. Essas atitudes colocam suas vidas e as dos demais motoristas em risco e tornam o trânsito ainda mais caótico.
 
É por essas e outras que o contador Ademir Duarte, de 66 anos, detesta motos. “Muitas vezes, elas atrapalham o trânsito. Alguns condutores andam pelos corredores e fazem zigue-zague na pista. Para mudar de faixa é um problema, temos que dar seta e aguardar que todos passem. Isso sem contar com a questão do ponto cego. Às vezes nós não os enxergamos e acabamos fechando-os ou colidindo. A grande maioria precisa de mais prudência no trânsito”, reclama. 
 
Além da necessidade, preço atrai
Segundo Reivaldo Moraes, presidente do Sindicato do Motociclistas Profissionais  (Sindimoto-DF) e da Federação Nacional de Motociclistas Profissionais, muitos condutores optam pelas motocicletas por uma questão de necessidade. “As motos são bem mais baratas, há modelos básicos a partir de R$ 6 mil. Além disso, o financiamento é facilitado. Utilizando o vale transporte muitos motociclistas conseguem quitar as prestações”, diz. 
 
O trânsito é o segundo fator apontado por ele. “Com o transporte público ineficiente e os engarrafamentos diários que temos que enfrentar, muitas pessoas, especialmente as que trabalham com entregas, acabam optando pelas motos”. 
 
De acordo com Moraes, a maior batalha   na atualidade é pela valorização da vida no trânsito e regularização dos profissionais da categoria. “Precisamos de mais respeito entre motoristas e motociclistas. Também queremos profissionais 100% habilitados e circulando de acordo com as normas”, afirma.
 
Respeito
A motogirl Ana Lúcia da Silva, de 33 anos, conta que escolheu a profissão, tipicamente masculina, por ser apaixonada por motocicletas. Ela trabalha em um restaurante no Guará e também acredita que falta respeito entre motoristas e motociclistas no trânsito.
 “Sinto que falta educação. Tento andar dentro da lei, às vezes é difícil porque temos prazos apertados para entregar os pedidos, mas nunca sofri acidentes por falta de cuidado da minha parte. Já fui fechada por motoristas, caí e me machuquei, mas entendo que na maioria das vezes não é por mal. Também dirijo carro e sei que às vezes os motoristas não nos veem”, comenta. 
Ex-piloto de corrida profissional e atual instrutor de pilotagem, Wesley Vanconcelos, mais conhecido como Testa, explica que o maior problema está na falta de preparação dos motociclistas para lidar com situações adversas no trânsito – como buracos, animais na pista e poças de água. 
“As pessoas não são treinadas na autoescola para fazer o melhor uso do reflexo e do equilíbrio. Seria bom que os futuros motociclistas tivessem aulas de direção defensiva  já no estágio inicial”, defende. 
 
Tolerância
Em relação ao comportamento dos motoristas no trânsito, Testa concorda com Ana Lúcia. “Como condutor, vejo que falta tolerância, respeito ao espaço do outro”. Segundo ele,  a maioria dos acidentes acontece quando os motociclistas acreditam estar dirigindo bem. “Ao contrário do que muita gente pensa, as motocicletas não são perigosas. Os condutores é que saem despreparados dos cursos de habilitação”, analisa.
 
Mobilização na internet
Esta é uma das reportagens do Jornal de Brasília que compõem a série #BrasíliaquerAndar. Na internet, leitores do Jornal de Brasília e seguidores das redes sociais do JBr. utilizam a  hashtag para falar sobre mobilidade – o tema das reportagens. É possível ainda fazer sugestões de matérias por meio da internet. 
 
Vantagens e desvantagens do veículo
Especialista em trânsito, Fábio de Cristo lembra que a quantidade de motocicletas no Distrito Federal, e de acidentes envolvendo esses veículos, vêm aumentando consideravelmente desde a década de 1990. Segundo o estudioso, o risco é mais elevado de acordo com a faixa etária dos condutores.

“Estudos mostram que existe um perfil em que o risco na direção é maior: homens, solteiros, com idade entre 20 e 39 anos, costumam estar envolvidos em um maior número de acidentes, especialmente aos fins de semana”, explica.

E segundo o especialista, é bom se preparar, pois a tendência nacional é de aumento da frota de motos. “Estudos sugerem que 25% da frota brasileira já é de motocicletas. Do ponto de vista social e ambiental, as motos usadas no Brasil são superiores ao automóveis em relação ao baixo consumo de energia, custo de aquisição, manutenção e pouco uso do espaço urbano”, aponta.
 Por outro lado, ele prossegue: “pesquisas mostram que os motociclistas possuem, em relação aos motoristas, sete vezes mais chances de morrer, quatro vezes mais chances de sofrer lesão corporal e duas vezes mais chances de atropelar um pedestre. Políticas públicas são necessárias para equilibrar tais vantagens e desvantagens”.
 
DICAS DE DIREÇÃO DEFENSIVA
Não ande pelos corredores entre os carros
Ande na mesma velocidade ou, no máximo, 20km/h acima dos carros, mas sempre respeitando os limites da via
Evite trafegar em velocidade excessivamente baixa, especialmente nas curvas, o que faz com que a moto perca aderência com o solo
Quando for ultrapassar um veículo, verifique se o motorista está atento a sua presença
Faça curvas na ponta do pé (nunca com o pé abaixado em cima do apoio) a fim de evitar torções em caso de queda
Faça curva com o joelho dobrado e perna levemente aberta, no sentido do centro da curva, para ganhar estabilidade durante a manobra
Olhe sempre para frente, para onde pretende ir, nunca para o chão. Ao olhar para o chão, o motociclista perde o equilíbrio
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília - Ludmila Rocha 

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