Manifestação contra a discriminação racial e em homenagem à mulher baleada e arrastada no asfalto, no Rio, reúne cerca de 200 pessoas e chama a atenção de quem passava pela plataforma superior da Rodoviária.
Com cartazes e palavras de ordem, os manifestantes percorreram o trecho entre o Conic e a Rodoviária.
POR: DANIELA GARCIA - Correio Braziliense.
Cerca de 200 pessoas se uniram ontem ao movimento Somos Todas Cláudias, na região central de Brasília. Os manifestantes, em sua maioria mulheres negras, carregaram cartazes e fotos da auxiliar de serviços gerais Cláudia da Silva Ferreira, morta em meio a um tiroteio em 13 de março, no Morro da Congonha, Zona Norte do Rio de Janeiro. A Polícia Militar do Rio foi um dos alvos do protesto, apontada por ser responsável pela morte de Cláudia. Depois de ser baleada, Cláudia foi colocada no porta-malas do camburão, mas, no meio do caminho, ela caiu e acabou arrastada pelo asfalto por cerca de 350 metros. Uma cena chocante que foi registrada por cinegrafistas amadores.
O ato de Brasília foi organizado por meio das redes sociais. A concentração começou na Praça Zumbi dos Palmares, em frente ao Conic, por volta das 17h. No local, foram distribuídas fotos de Cláudia e exibidos cartazes que pediam o fim do racismo. Algumas mulheres vestiam camisas com os dizeres “Sou negra, em caso de emergência não deixe a polícia me ‘socorrer’”. Em um palco, artistas de Brasília como Vera Verônica cantaram músicas em homenagem à Cláudia. “Somos todas Cláudia. Caminhemos contra o racismo para que não sejamos também arrastadas”, dizia, ao microfone, chamando as pessoas para a passeata que seguiu até a Rodoviária do Plano Piloto.
Como em um cortejo fúnebre, mulheres acenderam velas e caminharam pelo calçadão do Conic até a rodoviária. Os manifestantes entoavam palavras de ordem como “Sem hipocrisia, essa polícia mata negro todo dia”. Com a filha a tiracolo, a produtora executiva Gabriela Fernandes, de 27 anos, acompanhou o manifesto do princípio ao fim. Ela diz sofrer preconceito porque é “mulher, negra e mãe solteira”.“Quero preparar a minha filha para ser uma pessoa livre e não passar por isso.”
Passeata
Participantes do protestos distribuíram um manifesto para quem estava na rodoviária. Muitas pessoas se juntaram ao cortejo, que transitou entre as duas plataformas. “A morte de Cláudia foi premeditada e proposital. No Brasil, ser bandido é ter uma cor, e a pena para cor é a morte”, dizia um trecho do texto.
Uila Oliveira Cardoso, 20 anos, uma das organizadoras do ato em repúdio ao racismo e à violência racial, participa do grupo Pretas Candangas. Ela disse que diversas ONGs promoverão atividades nas redes sociais, ao longo dos próximos 20 dias, para lembrar a morte de Cláudia. “Precisamos chamar a atenção da sociedade e do Estado para o genocídio da população negra no Brasil”, declarou.
Cláudia foi baleada após sair de casa para comprar pão para a família. Ainda se sabe de onde partiram os tiros que acertaram a auxiliar de serviços de gerais. Testemunhas, no entanto, afirmam que policiais militares atiraram em Claúdia porque acharam que ela estava servindo café para traficantes. Os PMs responsáveis pelo transporte de Claudia — subtenente Adir Serrano Machado, subtenente Rodney Miguel Archanjo e sargento Alex Sandro da Silva Alves — foram presos no dia seguinte, mas acabaram soltos em 20 de março.
** “Quero preparar a minha filha para ser uma pessoa livre e não passar por isso”
Gabriela Fernandes, produtora executiva
Com cartazes e palavras de ordem, os manifestantes percorreram o trecho entre o Conic e a Rodoviária.
POR: DANIELA GARCIA - Correio Braziliense.
Cerca de 200 pessoas se uniram ontem ao movimento Somos Todas Cláudias, na região central de Brasília. Os manifestantes, em sua maioria mulheres negras, carregaram cartazes e fotos da auxiliar de serviços gerais Cláudia da Silva Ferreira, morta em meio a um tiroteio em 13 de março, no Morro da Congonha, Zona Norte do Rio de Janeiro. A Polícia Militar do Rio foi um dos alvos do protesto, apontada por ser responsável pela morte de Cláudia. Depois de ser baleada, Cláudia foi colocada no porta-malas do camburão, mas, no meio do caminho, ela caiu e acabou arrastada pelo asfalto por cerca de 350 metros. Uma cena chocante que foi registrada por cinegrafistas amadores.
O ato de Brasília foi organizado por meio das redes sociais. A concentração começou na Praça Zumbi dos Palmares, em frente ao Conic, por volta das 17h. No local, foram distribuídas fotos de Cláudia e exibidos cartazes que pediam o fim do racismo. Algumas mulheres vestiam camisas com os dizeres “Sou negra, em caso de emergência não deixe a polícia me ‘socorrer’”. Em um palco, artistas de Brasília como Vera Verônica cantaram músicas em homenagem à Cláudia. “Somos todas Cláudia. Caminhemos contra o racismo para que não sejamos também arrastadas”, dizia, ao microfone, chamando as pessoas para a passeata que seguiu até a Rodoviária do Plano Piloto.
Como em um cortejo fúnebre, mulheres acenderam velas e caminharam pelo calçadão do Conic até a rodoviária. Os manifestantes entoavam palavras de ordem como “Sem hipocrisia, essa polícia mata negro todo dia”. Com a filha a tiracolo, a produtora executiva Gabriela Fernandes, de 27 anos, acompanhou o manifesto do princípio ao fim. Ela diz sofrer preconceito porque é “mulher, negra e mãe solteira”.“Quero preparar a minha filha para ser uma pessoa livre e não passar por isso.”
Passeata
Participantes do protestos distribuíram um manifesto para quem estava na rodoviária. Muitas pessoas se juntaram ao cortejo, que transitou entre as duas plataformas. “A morte de Cláudia foi premeditada e proposital. No Brasil, ser bandido é ter uma cor, e a pena para cor é a morte”, dizia um trecho do texto.
Uila Oliveira Cardoso, 20 anos, uma das organizadoras do ato em repúdio ao racismo e à violência racial, participa do grupo Pretas Candangas. Ela disse que diversas ONGs promoverão atividades nas redes sociais, ao longo dos próximos 20 dias, para lembrar a morte de Cláudia. “Precisamos chamar a atenção da sociedade e do Estado para o genocídio da população negra no Brasil”, declarou.
Cláudia foi baleada após sair de casa para comprar pão para a família. Ainda se sabe de onde partiram os tiros que acertaram a auxiliar de serviços de gerais. Testemunhas, no entanto, afirmam que policiais militares atiraram em Claúdia porque acharam que ela estava servindo café para traficantes. Os PMs responsáveis pelo transporte de Claudia — subtenente Adir Serrano Machado, subtenente Rodney Miguel Archanjo e sargento Alex Sandro da Silva Alves — foram presos no dia seguinte, mas acabaram soltos em 20 de março.
** “Quero preparar a minha filha para ser uma pessoa livre e não passar por isso”
Gabriela Fernandes, produtora executiva

