Acampamento dos defensores dos animais reacende a polêmica sobre a ocupação do Eixo Monumental. Administração de Regional Brasília não tem critério claro para a montagem de estruturas no gramado central.
Pelo menos 100 barracas e 300 pessoas, de todo país, pretendem ficar no gramado da Esplanada até hoje.
Por: Ariadne Sakkis - Correio Braziliense - 20/02
O gramado da Esplanada dos Ministérios e adjacências tem sido ocupado rotineiramente por manifestantes e público de eventos religiosos, culturais e esportivos. Alguns chegam a montar acampamentos, com barracas e até cozinha, ocupando um dos principais cartões postais de Brasília. No entanto, os órgãos de fiscalização do Governo do Distrito Federal e a Polícia Militar tratam os ocupantes de forma diferente. Enquanto sequer incomodam alguns grupos, como os apoiadores dos condenados do Mensalão, que permanecem ao lado do Supremo Tribunal Federal (STF) há mais de três meses, mostram tolerância zero com outros, como os alunos das universidades cariocas Gama Filho e UniverCidade, retirados à força quando tentam se fixar em frente ao Ministério da Educação.
Presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Distrito Federal (CAU), Alberto de Faria é contrário aos eventos no gramado da Esplanada. Para ele, faltam regras claras sobre a ocupação dos espaços na região. “Eventos comerciais, esportivos, religiosos ou mesmo aqueles patrocinados pelo Estado, quando muito próximos ao Congresso, devem ser evitados, pois a monumentalidade daquela região deve ser preservada”, defende. No entendimento de Faria, porém, manifestações sociais deveriam ser liberadas. “O espaço urbano de Brasília é segregador desde sua concepção, por isso, limitar passeatas, acampamentos ou outras manifestações no local é ruim para a cidade e para a reunião popular democrática”, defende.
Defesa dos animais
Os mais recentes moradores da Esplanada são ativistas de direitos dos animais. Eles montaram um acampamento no gramado central, em frente ao Congresso Nacional. Defensores da causa vieram de vários estados para pressionar parlamentares a votar projetos de lei que ampliam a proteção aos bichos e endurecem a punição a autores de maus-tratos. Pelo menos 100 barracas e 300 pessoas prometem ficar no local até hoje. Mas a Administração de Brasília endureceu com os manifestantes que chegaram na noite do último domingo e pediu a retirada de todos, argumentando que eles mão têm autorização do órgão para o ato.
Os defensores dos animais afirmam ter pedido licença para ocupar o espaço. Eles apresentaram à reportagem cópia dos documentos protocolados na Administração de Brasília. No entanto, o órgão informou, por meio da assessoria de comunicação, que “sequer discute a liberação para qualquer tipo de acampamento. No máximo, como em encontros sociais, permite a armação de algumas barracas de apoio para servir comida e banheiros. Mas acampamentos, não”. No ano passado, agentes penitenciários permaneceram na Esplanada em barracas, durante dois meses, antes de serem removidos pelas autoridades.
“Não estamos fazendo nada de errado. Somos pacíficos, ninguém veio para cá querendo fazer bagunça, ir contra a lei”, afirmou a coordenadora executiva do Acampamento Nacional pelos Direitos dos Animais, Helena Raposo. Os organizadores encaminharam também um ofício à Superintendência do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico e Nacional (Iphan). José Leme Galvão Júnior, superintendente do Iphan no DF, respondeu que, “no que concerne à preservação do patrimônio protegido em âmbito federal, nada obsta a realização do evento, desde que nos termos e limites contidos na proposta”.
Galvão Júnior ressaltou, porém, que o documento é informativo e não substitui a necessidade de autorizações emitidas pelo governo local. A posição difere de declarações dadas por ele no ano passado e por seus antecessores. Todos eram radicalmente contra qualquer ocupação da Esplanada, sob alegação de ferir o tombamento do plano urbanístico de Lucio Costa. Júnior, inclusive, não mostrava flexibilidade nem com eventos culturais nem religiosos.
Interferência
Alguns deputados federais e distritais manifestaram apoio aos ativistas e teriam, inclusive, pedido ao GDF que liberasse a permanência do grupo até o fim do protesto. O administrador de Brasília, Messias de Souza, telefonou ao governador Agnelo Queiroz, que, segundo a assessoria de comunicação da Administração Regional, manteve a proibição. O administrador ofereceu o estacionamento do Mané Garrincha e o Parque da Cidade como áreas alternativas para a acomodação dos manifestantes, mas a oferta foi recusada e, até a noite de ontem, eles permaneciam na Esplanada. O acampamento ainda recebeu reforço com a chegada de ativistas vindos de São Paulo em dois ônibus.
Coordenador funcional da mobilização, Anderson Valle estranhou os argumentos usados pelo governo para tentar tirar os manifestantes de lá. “Estamos tentando fazer um agenda positiva, inclusive, marcamos uma carreata para encontrar o Agnelo e entregar uma carta pedindo o fim das mortes de animais em zoonoses. Ele havia nos apoiado. Há um ano, estamos conversando com lideranças políticas sobre isso”, afirmou.
Pelo menos 100 barracas e 300 pessoas, de todo país, pretendem ficar no gramado da Esplanada até hoje.
Por: Ariadne Sakkis - Correio Braziliense - 20/02
O gramado da Esplanada dos Ministérios e adjacências tem sido ocupado rotineiramente por manifestantes e público de eventos religiosos, culturais e esportivos. Alguns chegam a montar acampamentos, com barracas e até cozinha, ocupando um dos principais cartões postais de Brasília. No entanto, os órgãos de fiscalização do Governo do Distrito Federal e a Polícia Militar tratam os ocupantes de forma diferente. Enquanto sequer incomodam alguns grupos, como os apoiadores dos condenados do Mensalão, que permanecem ao lado do Supremo Tribunal Federal (STF) há mais de três meses, mostram tolerância zero com outros, como os alunos das universidades cariocas Gama Filho e UniverCidade, retirados à força quando tentam se fixar em frente ao Ministério da Educação.
Presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Distrito Federal (CAU), Alberto de Faria é contrário aos eventos no gramado da Esplanada. Para ele, faltam regras claras sobre a ocupação dos espaços na região. “Eventos comerciais, esportivos, religiosos ou mesmo aqueles patrocinados pelo Estado, quando muito próximos ao Congresso, devem ser evitados, pois a monumentalidade daquela região deve ser preservada”, defende. No entendimento de Faria, porém, manifestações sociais deveriam ser liberadas. “O espaço urbano de Brasília é segregador desde sua concepção, por isso, limitar passeatas, acampamentos ou outras manifestações no local é ruim para a cidade e para a reunião popular democrática”, defende.
Defesa dos animais
Os mais recentes moradores da Esplanada são ativistas de direitos dos animais. Eles montaram um acampamento no gramado central, em frente ao Congresso Nacional. Defensores da causa vieram de vários estados para pressionar parlamentares a votar projetos de lei que ampliam a proteção aos bichos e endurecem a punição a autores de maus-tratos. Pelo menos 100 barracas e 300 pessoas prometem ficar no local até hoje. Mas a Administração de Brasília endureceu com os manifestantes que chegaram na noite do último domingo e pediu a retirada de todos, argumentando que eles mão têm autorização do órgão para o ato.
Os defensores dos animais afirmam ter pedido licença para ocupar o espaço. Eles apresentaram à reportagem cópia dos documentos protocolados na Administração de Brasília. No entanto, o órgão informou, por meio da assessoria de comunicação, que “sequer discute a liberação para qualquer tipo de acampamento. No máximo, como em encontros sociais, permite a armação de algumas barracas de apoio para servir comida e banheiros. Mas acampamentos, não”. No ano passado, agentes penitenciários permaneceram na Esplanada em barracas, durante dois meses, antes de serem removidos pelas autoridades.
“Não estamos fazendo nada de errado. Somos pacíficos, ninguém veio para cá querendo fazer bagunça, ir contra a lei”, afirmou a coordenadora executiva do Acampamento Nacional pelos Direitos dos Animais, Helena Raposo. Os organizadores encaminharam também um ofício à Superintendência do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico e Nacional (Iphan). José Leme Galvão Júnior, superintendente do Iphan no DF, respondeu que, “no que concerne à preservação do patrimônio protegido em âmbito federal, nada obsta a realização do evento, desde que nos termos e limites contidos na proposta”.
Galvão Júnior ressaltou, porém, que o documento é informativo e não substitui a necessidade de autorizações emitidas pelo governo local. A posição difere de declarações dadas por ele no ano passado e por seus antecessores. Todos eram radicalmente contra qualquer ocupação da Esplanada, sob alegação de ferir o tombamento do plano urbanístico de Lucio Costa. Júnior, inclusive, não mostrava flexibilidade nem com eventos culturais nem religiosos.
Interferência
Alguns deputados federais e distritais manifestaram apoio aos ativistas e teriam, inclusive, pedido ao GDF que liberasse a permanência do grupo até o fim do protesto. O administrador de Brasília, Messias de Souza, telefonou ao governador Agnelo Queiroz, que, segundo a assessoria de comunicação da Administração Regional, manteve a proibição. O administrador ofereceu o estacionamento do Mané Garrincha e o Parque da Cidade como áreas alternativas para a acomodação dos manifestantes, mas a oferta foi recusada e, até a noite de ontem, eles permaneciam na Esplanada. O acampamento ainda recebeu reforço com a chegada de ativistas vindos de São Paulo em dois ônibus.
Coordenador funcional da mobilização, Anderson Valle estranhou os argumentos usados pelo governo para tentar tirar os manifestantes de lá. “Estamos tentando fazer um agenda positiva, inclusive, marcamos uma carreata para encontrar o Agnelo e entregar uma carta pedindo o fim das mortes de animais em zoonoses. Ele havia nos apoiado. Há um ano, estamos conversando com lideranças políticas sobre isso”, afirmou.

