por José Seabra
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Os alicerces do primeiro andar do Palácio do Buriti estão trincados. E podem ruir a qualquer momento. Para tanto, basta que se mostrem verídicas informações reservadas prestadas ao Ministério Público nas investigações sobre o Cartel do Metrô patrocinado pela Siemens. E os vagões que começaram a descarrilar em São Paulo, chegarão de roldão a Brasília.
Um relatório com carimbos da Polícia Federal e do Ministério Público, que começa a circular inclusive nos corredores do Congresso Nacional, indica que ao lado de figuras expoentes da política paulista, também teriam envolvimento no esquema da Siemens, em Brasília, o ex-governador José Roberto Arruda e um dos mais fortes aliados do governador Agnelo Queiroz, cujo nome é mantido sob reserva.
O documento confirma depoimento prestado por Everton Rheinheimer, ex-diretor da Siemens, que serviu de base para inquérito instaurado no Conselho Administrativo de Defesa do Consumidor. Se as investigações forem aceleradas, serão sentidos dois golpes na política de Brasília: 1) Arruda terá sua virtual candidatura inviabilizada. 2) A aliança do Novo Caminho não será renovada.
O esquema de corrupção detectado em São Paulo, supostamente envolvendo os governos de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin, garante Everton Rheinheimer, abastecia o esquema de Caixa 2 do PSDB, do Democratas e de uma parcela do PMDB e do PPS não só na capital paulista, como em outras cidades de grande porte do País.
A propina paga pela multinacional alemã era entregue em espécie pelo lobista Artur Teixeira. Os prejuízos aos cofres públicos somam vários milhões de reais. O cartel encabeçado pela Siemens tinha a participação de outras multinacionais, a exemplo da Alstom, Bombardier e Caterpillar.
Os pagamentos eram feitos em troca de vantagens para a construção e ampliação das linhas do metrô de São Paulo e do Distrito Federal. O dinheiro foi distribuído a governantes paulistas e brasilienses ao longo de 10 anos – de 1998 a 2008.
