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Paulo Octávio abusa da sorte, mas um dia a casa cai

*Renato Riella
Se o empresário Paulo Octávio tivesse algum conselheiro prudente, teria recebido a orientação de ficar fora da política. Na verdade, há algumas semanas, ele andou falando que cuidaria exclusivamente dos seus negócios, mas caiu em tentação e pagará preços muito caros por isso.
Avaliação semelhante vale para muitos políticos, entre os quais José Roberto Arruda, Gim Argello, Joaquim Roriz, Benedito Domingos, Roney Nemer e outros que estão passíveis de condenação em esferas diferenciadas da Justiça.
Todos esses e muitos outros, se tentarem ser candidatos em 2014, estarão provocando o Ministério Público, os tribunais, a polícia, a opinião pública e até a chamada Justiça Divina. Vão dançar!
Paulo Octávio já dançou, mas exagerou nas provocações. Todo mundo sabe que ele está passível de ser considerado inelegível em 2014, pois em 2010 renunciou ao cargo de governador (havia sucedido ao famigerado Arruda), para evitar um processo de impeachment na Câmara Legislativa. Este é um claro fator de inelegibilidade na Lei da Ficha Limpa.
Além disso, a acusação feita contra Paulo Octávio na chamada Caixa de Pandora, pela Procuradoria Geral da República, é assustadora e lembra muito o processo de José Dirceu e sua reconhecida quadrilha.
Contra Paulo Octávio (e contra Arruda), a PGR diz que os dois estão incursos nos seguintes casos criminais:
a.1.1) no art. 333 do Código Penal (corrupção ativa – episódio de 2006);
a.1.2) no artigo 1º-V e VII da Lei 9.613/98 (lavagem de dinheiro – episódio 2006);
a.1) na forma do artigo 70, caput, segunda parte, do a.2) na forma do artigo 70, caput, segunda parte, do Código Penal (concurso formal impróprio):
a.2.1) 33 vezes, em crime continuado, no art. 333 do Código Penal (corrupção ativa – entre fevereiro de 2007 e outubro de 2009); e
a.2.2) 33 vezes, em crime continuado, no artigo 1º-V e VII da Lei 9.613/98 (lavagem de dinheiro – entre fevereiro de 2007 e outubro de 2009). 
Mesmo assim, Paulo Octávio acredita na impunidade vigente no Brasil e decidiu ser candidato em 2014 (não se sabe a qual cargo, ainda).
Ela estava ainda filiado ao DEM, embora tenha garantido publicamente, em 2010, que teria se desfiliado desse partido. Numa solenidade pública, entregou a carta de desfiliação ao presidente da legenda, o também famigerado Rodrigo Maia, que participou de uma farsa, engavetando o documento.
Mas Paulo Octávio agora repudiou o DEM e fez uma negociação (não se sabe em qual moeda) com o quase presidiário Valdemar da Costa Neto, comprando o partido PP no DF. Vale-se do apodrecimento do dono do partido em Brasília, o deputado distrital Benedito Domingos, condenado pela Justiça e passível até de prisão.
A compra do PP fez que Paulo Octávio se aproximasse do governador Agnelo Queiroz. Colunas políticas do DF chegaram a dizer que o novo dono do PP poderia indicar o secretário de Desenvolvimento Econômico do DF. Esta era a realidade da semana passada.
Esta semana, depois do escândalo dos alvarás, que motivou a prisão dos administradores regionais de Águas Claras e Taguatinga, espera-se que o governador Agnelo arrefeça na decisão de abrir o seu governo para Paulo Octávio.
Não podemos esquecer do governo Arruda, quando o então governador e o seu vice produziram escândalos na entrega de terrenos do Pró-DF. Imaginem se essas situações escabrosas se repetirem no governo Agnelo!
Assim, teremos uma semana curta (sexta é feriado), mas quente. O que fará Agnelo na volta a Brasília nesta segunda? 
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Êpa! Shopping JK, envolto em escândalo, pode ser inaugurado sábado

A semana começa com a volta do governador Agnelo Queiroz a Brasília e um grande dilema: o GDF dará habite-se para a inauguração, no próximo dia 16 (sábado), do Shopping JK? Este é um empreendimento construído pelo empresário Paulo Octávio, numa imensa área entre Taguatinga e Ceilândia.
Se o administrador de Taguatinga teve nessa obra a principal motivação para ser preso, como poderá o governador Agnelo emitir um habite-se, em meio a investigações gravíssimas que envolvem a própria Polícia Civil do GDF, o Ministério Público e a Justiça do DF?
O Correio Braziliense tem acompanhado com eficiência o caso, o que até surpreende, sabendo-se das limitações políticas e empresariais habituais no DF. E a população brasiliense, muito bem informada sempre, está de olho em qualquer decisão a ser tomada pelo governador.
A situação é grave. Paulo Octávio argumenta, provavelmente com algum exagero, que investiu R$ 450 milhões no shopping, em parceria com 192 lojistas, que também investiram no empreendimento e lutam pela inauguração a tempo de poderem vender muito no Natal.
As pressões sobre Agnelo serão fortes, principalmente dos lojistas, que teoricamente não têm culpa caso fique provado que o alvará de construção do Shopping Jk foi fraudado. Mas o governador não pode desconhecer que a sua própria Polícia e o Ministério Público fazem acusações gravíssimas sobre esta obra.
Daí, temos de aguardar ao longo da semana o que vai acontecer, até porque sabemos que o Brasil é o país da impunidade. Até quando?
* Renato Riella: é jornalista, consultor de marketing políticocom quase 40 anos de atuação em Brasília.

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