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Cláudio se cansa de Abdon, dá baixa e Agnelo manda ele ficar

Foto: Arquivo Notibras
Foto: Arquivo Notibras - Por: José Seabra

A briga por espaço entre os homens da confiança de Agnelo Queiroz está prestes a provocar a primeira grande baixa na equipe do governador. Inconformado com o que considera intrigas de aliados, Cláudio Monteiro, secretário da Copa, decidiu entregar o cargo. Agnelo não aceitou a demissão. E Cláudio avaliará, durante o feriadão, se volta ao gabinete na segunda-feira 18.
O que mais tem irritado o secretário da Copa são as ações rasteiras de Abdon Henrique, presidente da Terracap. A ele são atribuídas inverdades que de tanto chegarem aos ouvidos do Ministério Público ganham contorno de verdade. No fundo, Abdon tem ciúmes das relações de Agnelo e Cláudio.  E não mede esforços para ser o braço direito do governador.
- Cláudio está cansado disso tudo. Já provou que é um homem íntegro e que não se prende a cargos. É fiel a Agnelo, mas não quer passar noites em claro, sujeitando-se aos descalabros de Abdon.
Isso me foi confiado por um amigo comum que interage com o secretário da Copa como padre que se dirige aos fiéis em dia de missa. Sugeriu que eu saísse da rede e escrevesse algo sobre o que se passa entre ‘todos os homens do governador’. Esse confidente foi claro, ao se referir ao último imbróglio envolvendo Cláudio Monteiro: o escândalo dos convites para a abertura da Copa das Confederações.
É certo que Cláudio Monteiro não tem nada a ver com isso. Afinal, ele não é ordenador de despesas. Se a Terracap comprou e pagou os ingressos diretamente à Fifa, o problema é com a administração da estatal. Mas Abdon, sorrateiro, aproveita que o assunto volta à tona para difundir que o secretário da Copa é o responsável pelos desmandos praticados por Antônio Carlos Lins, ex-presidente da Terracap.
Este repórter, inadvertida e intempestivamente, fez parte do jogo sujo de Abdon, a quem Cláudio Monteiro tem ojeriza. Foi no epísódio da demissão de Lins da presidência da Terracap. “O Agnelo é um merda. Uma marionete que a gente manipula”. A frase, atribuída a Lins, foi na realidade inventada por Abdon. O atual presidente da Terracap, para herdar o cargo, usou laranjas podres para difundir a mentira.
A decisão do secretário de deixar a Secopa foi tomada na semana passada, quando Abdon, agindo mais uma vez traiçoeiramente, espalhou que Cláudio, em uma palestra a servidores da Terracap, disse que Agnelo seria reeleito independente da renovação da aliança com o PMDB de Tadeu Filippelli. Ocorre que Cláudio, no dia dessa suposta palestra, estava internado, submetendo-se a uma série de exames clínicos.
De todos os assessores próximos a Agnelo, o mais atabalhoado (e mais ambicioso) é Abdon Henrique. É o que atestam colaboradores do governador. Lembram, por exemplo, que o atual presidente da Terracap arrecadou de mais e gastou de menos quando era tesoureiro da campanha para o governo; virou sócio em café expresso com grãos estocados no (ou seria na) Martinica; e tentou ser presidente do BRB, mas com uma ficha no SPC, não tinha como administrar dinheiro alheio.
Agora que um novo ano eleitoral bate as portas, Abdon Henrique sonha ser o segundo homem em comando – só perdendo para Agnelo, virtual candidato à reeleição. E decidiu partir para cima de Cláudio Monteiro, com um jogo capaz de fazer inveja até a Maquiavel.
Mas é como diz um interlocutor do secretário da Copa. “Cláudio não deve nada a ninguém. Mostrou isso a senadores e deputados federais, ao depor na CPI do Cachoeira. O que a gente não sabe, porém, é se o Abdon teria condições de enfrentar uma mera CPI de Caixa 2 e de Alvarás na Câmara Legislativa”.

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